[RESENHA] Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

brás cubas
Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas
Faz tempo que li esse livro… E eu não quero dizer a primeira vez que o li, e sim essa agora, a mais recente. Terminei tem mais de um mês e fiquei pensando na resenha a escrever.
É tanta coisa, são tantas considerações, que eu não sabia por onde começar. Até agora, confesso, não sei. Afinal, quando se fala de começo, esse é um dos mais conhecidos da literatura brasileira. O narrador, defunto-autor, contando a história da sua vida depois de morto.
Peraí, são muitas antíteses numa frase só.
Sim, Brás Cubas, morto, resolve contar sua vida. Mas não o faz numa ordem “certa”, de trás pra frente. Faz de acordo com suas recordações (reminiscências, adoro essa palavra), relembrando o que poderia ter sido, mas não foi. Contudo… Será que ele relembra mesmo? Ou, mais uma vez, Machado resolve brincar com a figura do narrador-personagem, que conta os fatos de acordo com a sua conveniência (omitindo e, até mesmo, mentindo algumas vezes)? Afinal, num dado momento, Brás Cubas afirma ter morrido aos 64 anos, mas, com as datas que são fornecidas, na verdade se vê que ele morreu aos 63. Talvez isso tenha sido um artifício de Machado para que desconfiássemos de tudo que o narrador nos conta.
Ele poderia ter se casado com Virgília, assim como poderia ter se relacionado com Sabina. Mas será que, quanto a esta, não o fez (só teve vergonha de admitir)? Ora, numa sociedade como a da segunda metade do século XIX, seria um escândalo uma relação daquelas!
Qualquer semelhança com o presente…
Uma das coisas boas num livro do Machado é a sua atualidade, os retratos construídos de uma sociedade que, na sua essência, não mudou muito. Os tipos medianos, a valorização de figuras como o Coronel Paulo Vaz Lobo César de Andrade e Sousa Rodrigues de Matos e sua esposa, a D. Maria Luísa de Macedo Resende e Sousa Rodrigues de Matos – as únicas personagens que têm seus extensos nomes escritos por completo.
Outra das coisas boas são os detalhes. Diferente do que ensina a música popular, os detalhes não podem ser (como de fato não o são em Machado) pequenos, afinal, na sua essência, significam algo importantíssimo. O autor escolhe a dedo nomes, fatos históricos, referências literárias, cores, lugares, datas… Mesmo que você não capte todos, é uma atividade legal ficar à caça deles enquanto lê.
Finalizo aqui dizendo que não vou fazer um resumo da história: seria chover no molhado. Já fizeram isso bem melhor do que eu.
Não preciso deixar aqui uma recomendação pra Machado de Assis, né?


Título: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Autor: Machado de Assis
Editora: Ateliê Editorial
Categoria: Romance
Ano: 2001
Páginas: 312
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Classificação: 


CURIOSIDADES
. No livro, aparece uma personagem que protagonizará outra obra de Machado de Assis: Quincas Borba.
. É interessante notar a ligação de Machado com o mar. Em Dom Casmurro, o protagonista diz que Capitu tem olhos de ressaca, e é no mar que perdem o amigo (além de outras tantas referências); em Memórias Póstumas…, o mar quase seria o responsável por outra separação: desta feita, a de Brás Cubas e Virgília.


IMAGENS

Anotações que fiz enquanto lia… 🙂

 

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