[CITAÇÃO] Gregor Grey – Potro descontrolado

Fim do Carnaval! E, para que retomemos as atividades neste blog, abandonado durante o período momino, segue uma citação.

Mas, antes do texto propriamente dito, cabe aqui uma observação: você sabe o que é um pseudônimo? Ele ocorre quando o(a) autor(a) não deseja se identificar, por qualquer motivo que seja: vergonha, medo, temor de sofrer represálias… Enfim, são vários os motivos que levam alguém a se esconder por trás de um pseudônimo.

No caso do texto que segue, quem escreveu pediu para que fosse identificado por GREGOR GREY, que obviamente não é o seu nome de verdade. Dessa forma, não haverá remissão a qualquer forma de identificação ou contato com o(a) seu(sua) autor(a).

POTRO DESCONTROLADO (Gregor Grey)

Com um sorriso de encher os olhos, sorria
Jovem, bela, altiva e radiante
e não se deixava endurecer pela labuta do dia.
Sendo eu traquino, afeto ao mundano como antes,
quis aquele corpo em meus braços
e arrancar daquele sorriso orgasmos
e provar que era mais do que Infante.

Um beijo roubado, breve e proibido
deu inicio ao turbilhão daquela paixão
Ao meio dia com o pretexto de que tinha ido
desviava o prumo rumo àquela mansão.

E no primeira dia, um potro descontrolado,
gemia e se contorcia na ourela do divã
De velho, aposentado, um fogo apagado,
passou a menino de inigualável afã.

E no segundo dia, um cavalo desembestado,
que corria a fonte d´água no mundo que se secara
Era um reluzente horizonte, logo, logo defenestrado
que não cai no gozo estatelado
pois onde cada descanso lembrava o que se errara.

Havia uma mãe, mas pouco me importava
pois a luxúria era intensa e o tempo breve
e cada fantasia sem medo realizava
por mais bizonho o pedido não lhe chocava
pois como fala o matuto: é morrendo que se veve.

E os dias se passando e a chama não se apagava
a admiração, uma aurora, matreira já reluzia
o respeito sorrateiro ao pé da cama já se sentava
a áurea angelical aos poucos me encantava
mesmo quando o potro branco não adormecia.

Era perfeita, e no suor, o carinho já se sentia
o alazão não se cansava
e do campo não se fastia
era rija, e uma filha, o corpo, não maltratara
no escuro, nas escadas a gente se atracava
era lavabo, mesa, chão, onde desse se ia.

Até que no último dia a realidade nos encontrara
uma viagem, sem volta, os dois, separaria
Naquele dia a cavalgada de bom pouco importava
pois a relva o seu cavalo não mais veria.

À distância, uma carta já dizia o que se sabia
que não morria pelo espaço, nem pelo tempo a alegria
e um pedido inusitado em meio a brincadeiras
abalou as estruturas e fez balançar as cadeiras
ao querer-me como pai da segunda bela de suas filhas.

O alazão destrambelhado pelo campo corria
mas sabia que a relva não fronda apenas com chuva e dia
que há carinho, comprometimento, exemplo e o dia a dia
e que mesmo se a semente plantasse,
o homem que diariamente não regasse
afirmaria que pai é o que cria.

E não era cavaleiro de tamanha ousadia
um pangaré vagabundo com medo de família
das responsabilidades de pai é que se furtava
mesmo com a mulher que se amava
mal sabendo que ali morava a alegria.

E naquilo que era mais avesso
com outra um dia contrairia
e num campo com segredos inconfessos
houve um verdadeiro retrocesso
e o cavalo branco não mais corria.

E a segunda princesinha já nascera
era a cara do pai, homem de sorte todo dia,
não ver meu rosto naquele rosto, de certo, doera
o coração do ginete com isso moera
Mas naquele reino reinava a alegria.

E hoje o matungo rumina feno
e aprecia o reino longe e seus verdes campos
a Majestade e o brilho de sua grandeza
sonhando um dia com o regresso
ouve que o medo é inimigo do sucesso
e que a chama não se apaga com tantos anos.

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