[RESENHA] William Shakespeare – Sonho de uma noite de verão

William Shakespeare – Sonho de uma noite de verão

Numa noite de verão, num bosque, quatro jovens enamorados encontram-se e desencontram-se: Lisandro ama Hérmia que ama Lisandro e é amada por Demétrio, que é amado por Helena; depois, Demétrio ama Helena, que ama Demétrio e é amada por Lisandro, que é amado por Hérmia. Na manhã seguinte, tudo se resolve, e há um casamento triplo, pois casam-se também o Duque de Atenas e a Rainha das Amazonas. Na festa, no palácio do Duque, apresenta-se uma peça de teatro amador, escrita e encenada por trabalhadores locais. É hilariante de tão ruim a ‘comédia trágica’, que teve ensaio naquela noite de verão, naquele bosque, habitado por fadas e duendes que têm seu Rei e sua Rainha, que disputam a guarda de um menino indiano, e por isso esta Rainha apaixona-se, naquela noite de verão, por um mortal com cabeça de burro“. (texto extraído da própria contracapa do livro)


A peça contém todos os elementos de uma boa comédia. A história é de um quadrado amoroso, “uma turminha do barulho armando altas confusões” (Sessão da Tarde feelings). Quem nunca passou por uma situação semelhante? E, afinal, quem vai ficar com quem?

Além disso, o enredo me lembra o começo daquele poema Quadrilha, do Drummond:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.

Como toda boa literatura, há várias referências a outras obras, sendo a influência da literatura clássica bem perceptível. A leitura é excelente, flui num ritmo que, quando se percebe, você lê FIM, imagina as cortinas se fechando e a plateia aplaudindo de pé.

RECOMENDO para qualquer momento! 🙂


Título: Sonho de uma Noite de Verão (A Midsummer Night’s Dream)
Autor: William Shakespeare
Editora: L&PM
Categoria: Teatro
Ano: 2013
Páginas: 108
Mais sobre o autor: “William Shakespeare (1564-1616) nasceu e morreu em Stratford, Inglaterra. Poeta e dramaturgo, é considerado um dos mais importantes autores de todos os tempos. Filho de um rico comerciante, desde cedo Shakespeare escrevia poemas. Mais tarde associou-se ao Globe Theatre, onde conheceu a plenitude da glória e do sucesso financeiro. Depois de alcançar o triunfo e a fama, retirou-se para uma luxuosa propriedade em sua cidade natal, onde morreu. Deixou um acervo impressionante, do qual destacam-se clássicos como Romeu e Julieta, Hamlet, A megera domada, O rei Lear, Macbeth, Otelo, Sonho de uma noite de verão, A tempestade, Ricardo III, Júlio César, Muito barulho por nada etc.” (p. 3)

Mais sobre a vida do autor pode ser vista no filme “Shakespeare Apaixonado” (Shakespeare in Love, 1998, direção de John Madden).

Classificação: 


Trechos:

. Para você, seu pai deve ser como um deus, o deus que compôs suas formosuras. Sim, e o deus de quem você é nada mais que uma forma em cera composta, por ele gravada, e em seu poder de pai está deixar a figura como está ou desfigurá-la. (p. 17)

. Mais mundanamente feliz é a rosa destilada que aquela que, murchando em seus castos espinhos, cresce, vive e morre em abençoada solteirice. (p. 18)

. O Amor não enxerga com os olhos, e sim com a mente, e por isso pinta-se cego o Cupido alado. Tampouco a mente do Amor tem faro para qualquer discernimento. Com asinhas e sem olhos, representa a pressa da imprudência. (pp. 25-26)

. Nós, mulheres, não podemos lutar por um amor, como os homens podem; nós devemos ser cortejadas, e não fomos feitas para cortejar. (p. 43)

. A vontade de um homem muda de sentido conforme a razão, e a razão me diz que você é a donzela mais valorosa. (p. 50)

. Para cada homem que mantém sua palavra, um milhão de outros falham, quebrando um juramento depois do outro. (pp. 67-68)

. Os amantes e os loucos têm cérebros tão fervilhantes, fantasias tão imaginativas, que acabam por conceber mais do que a fria razão pode compreender. O lunático, o amante e o poeta são compostos tão somente de imaginação. Um enxerga tantos demônios que estes não cabem em todo o vasto inferno; assim é o louco. O amante, tão desvairado quanto, enxerga a beleza de Helena de Troia no rosto de uma cigana. O poeta revira os olhos num fino e furioso frenesi, lança um olhar do céu para a terra, outro da terra para o céu e, à medida que a imaginação vai desenhando os contornos de coisas não conhecidas, a pena do poeta vai lhes dando formas, e coloca um nada etéreo em uma habitação local e inventa-lhe um nome. (p. 101)

. É impossível uma coisa ser equivocada quando são a singeleza e a reverência que a oferecem. (p. 104)

. Têm língua amarrada o amor e a simplicidade: quanto menos falam, mais dizem. (p. 105)

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