[CRÔNICA] A viagem (Rafael Caneca)

Na sala de embarque, me lembro desta crônica, escrita há quase quatro anos (o tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa).

Espero que gostem!
—-
Sinceramente? Nunca tive muitos problemas em arrumar mala (tá certo que, até um tempo atrás, quem a fazia era minha irmã, mas desde que saí de casa – há quase 1 ano – não tenho mais essa facilidade). Ainda que não fosse feita por mim, eu sempre soube o que colocar dentro dela: camisas, calças, bermudas, meias, toalhas, artigos de higiene, cuecas, calçados (embora, certa vez, minha mãe tenha esquecido esses dois últimos itens!)… Jogava tudo em cima da cama e minha nobilíssima irmã dava um jeito de caber tudo na mala.

No entanto, sempre me enganchava quando se tratava de escolher um item. As músicas eram as que me acompanhavam rotineiramente, uma ou outra camisa de futebol, bloquinho de anotações etc.; tudo isso era muito fácil. Mas o problema mesmo vinha na escolha daquele que seria como um Toddynho pra mim (“o companheiro de aventuras”): o livro.

Abro aqui um I.S. (“inter-scriptum”, já que é durante a escrita do texto, e não depois – etimologia do P.S., “post-scriptum”): livro é um objeto tido como antiquado hoje em dia, que insistem em dizer que sairá de moda (e de circulação) em breve. A despeito de, no final de 2010 (em pleno século XXI, onde já se viu isso!), ter sido uma livraria a maior responsável pelo crescimento em um mês da economia cearense! Pois bem, o livro é um objeto facilmente portável, utilizado para contar histórias, reais ou fictícias, com finalidades científicas, estudantis etc. Já disseram que serve para alimentar a alma – e, mesmo que você não acredite nessas coisas, pelo menos o papel de estimulante à imaginação você deve reconhecer que ele tem. Capa dura, capa mole, com figuras, sem figuras, poucas páginas, muitas páginas… Enfim, acho que deu para você se lembrar de um livro, não é?

Fim do I.S.

Passava várias vezes em frente à estante. Olhava os títulos, pensava na duração da viagem, em quantos dias ficaria no lugar, se teria tempo livre para ler (e para escrever também, afinal, boas ideias sempre surgem em viagens). Apesar de não gostar de fazer isso, muitas vezes começava um livro novo, porque achava que o que já estava lendo não seria um bom acompanhante; às vezes seguia com o mesmo, para terminar (e erros de cálculos me deixavam abandonado do meio para o fim da estada – sem contar todo o trajeto de volta).

Livros de contos, romances, biografias, clássicos da literatura nacional, estrangeira, em língua portuguesa, em outras línguas… Minha mente entrava em parafuso com tantas opções. O processo seletivo era tão longo, que o tempo de arrumar a mala passava a ser o dobro do normal.

Agora, se me dão licença, há uma estante me esperando. E uma passagem comprada para daqui a algumas horas.

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